Karolina Vieira

A imunoterapia para o tratamento do câncer tem sido cada vez mais usada. Recentemente uma vacina terapêutica começou a ser testada em humanos. Essa vacina é diferente das convencionais porque é personalizada e só pode ser usada após o paciente receber o diagnóstico. Ela estimula o próprio organismo a reconhecer o câncer como um inimigo. O tratamento foi desenvolvido pela empresa estadunidense Moderna, que divulgou a novidade no fim do mês passado.

A tecnologia em questão foi batizada de mRNA 4157. E o nome tem motivo: a nova arma “se aproveita” do mecanismo do nosso RNA mensageiro, o mRNA, para agir no corpo. São essas moléculas que recebem e enviam ordens do DNA para o corpo. Primeiro é identificado no organismo do paciente quais são as principais mutações presentes em seu câncer. Depois disso são identificadas as 20 mutações que, de acordo com particularidades do seu organismo, têm maior chance de causar a reação imune desejada.  Usando tecnologias de última geração, os cientistas passam essa informação para moléculas de mRNA e as inserem na vacina.

Quando aplicada no paciente, as moléculas ensinam as células de defesa a identificar a doença e o sistema imune começa a combater o tumor. Se aprovada, a expectativa da empresa responsável pela vacina é que a injeção fique pronta para o paciente rapidamente após o diagnóstico. Mesmo que dê certo, ainda é preciso desenvolver muitos estudos para colocar a vacina de fato no mercado. É preciso também levar em consideração quanto essa vacina custaria para o paciente e sua reação durante o procedimento. Os testes já começaram em algumas pessoas e a previsão é que os resultados dessas primeiras análises fiquem prontos até o fim do ano que vem.