Karolina Vieira

Um protótipo do bafômetro já está sendo usado na África. Os cientistas estão testando o equipamento para diagnosticar a malária. A doença é uma das que mais provoca a morte de crianças no mundo todo. Ela é causada por parasitas transmitidos pelo mosquito Anopheles.

Segundo o levantamento realizado até agora pelos pesquisadores americanos, pessoas com malária produzem “traços respiratórios” distintos, que poderiam ser identificados pelo novo método. Um desses odores expelidos por pacientes infectados é idêntico a um cheiro natural que atrai os vetores da malária. Pinheiros e coníferas exalam terpenos, substâncias que chamam mosquitos e outros insetos polinizadores, destacam os pesquisadores da Universidade Washington em St. Louis (EUA).

A professora Audrey Odom John, uma das envolvidas na pesquisa afirma ainda que o aparelho pode se tornar um meio confiável de diagnóstico precoce e, assim, ajudar a prevenir mortes. Para se ter uma ideia, em 2015, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 95 países e territórios notificaram transmissão da malária. Ainda segundo a OMS foram registrados 214 milhões de casos de malária e 438 mil mortes em decorrência da doença em 2015. A situação é pior na África, responsável por 88% dos registros e por 90% das mortes.

No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 143 mil casos em 2015, o menor número em 35 anos. Mesmo assim 26 pessoas morreram em decorrência da doença. Redução de 89% se comparado com os óbitos contabilizados em 2000. Um dos grandes desafios para controlar a doença e diminuir de vez os casos é a identificação da malária ainda em estágios iniciais. A doença na maioria das vezes é assintomática, por isso se torna difícil controlar os casos.

A nova ferramenta poderia colaborar e muito para esse diagnóstico precoce. Ao todo foram testadas amostras de respiração de 35 crianças com febre no Malauí, parte delas com malária. O resultado foi preciso em 29 pacientes, indicando uma taxa de sucesso de 83%. Mas que é ainda considerada baixa para o método ser usado rotineiramente. Os cientistas trabalham para aprimorar a confiabilidade do bafômetro e tentar colocá-lo no mercado. Segundo os pesquisadores são necessários mais estudos para identificar se o bafômetro é mesmo um teste confiável.