Karolina Vieira

Criado por cientistas do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, sigla em inglês), um sensor flexível com dois centímetros e meio pode ser enrolado e colocado em uma cápsula para ser engolido. Depois de engolido, o sensor pode se conectar às paredes do estômago ou intestino do paciente, conforme necessário, para medir as contrações do órgão e ajudar a diagnosticar doenças e problemas em seu sistema digestório. A peça tem, aproximadamente, o tamanho de um selo postal. Quando a cápsula é ingerida, ela chega até o estômago do paciente e, lá, se dissolve, permitindo que o sensor se afixe na parede do órgão ou, então, siga até o intestino e se estabeleça por lá.

O dispositivo é composto por um material piezoelétrico colocado entre dois eletrodos: um de ouro na parte de cima e outro de platina na parte de baixo. Esse conjunto é colocado em um polímero com flexibilidade semelhante à da pele humana. E ele é capaz de se prender nas paredes internas do trato gastrointestinal sem se danificar ou ferir o paciente.

Um dos pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento, Giovanni Traverso, ressalta que o dispositivo também pode auxiliar no tratamento de pessoas com obesidade, uma vez que permite monitorar com precisão quando elas ingerem comida ou bebida. “Ter uma ideia do que o paciente está ingerindo é bem útil, porque às vezes é difícil para o paciente se policiar e saber ao certo o que está consumindo”, completa.

Segundo o MIT, testes preliminares já foram realizados em porcos e apontaram que o sensor foi capaz de se manter ativo no trato gastrointestinal por dois dias, mas ainda não foi testado em seres humanos. Os pesquisadores vão aprimorar o dispositivo antes de usá-lo de maneira ampla, mas destacam que ele é mais seguro que os semelhantes já existentes, por ser mais flexível e menos invasivo. Um dos objetivos é aproveitar a corrente e a voltagem geradas quando o sensor é amassado para dar energia ao mesmo, evitando o uso de bateria, se tornando ainda mais seguro.