Karolina Vieira

O medicamento chamado de Entresto, feito com as substâncias sacubitril e valsartana, surgiu a partir de um estudo realizado na Escócia e teve aprovação nos Estados Unidos e na Europa cerca de dois anos atrás. Mas só agora conseguiu a definição de seu preço no Brasil, após obter a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Uma caixa com 28 comprimidos do medicamento custa R$ 147. O remédio chegou na última semana às farmácias brasileiras.

De acordo com estudos, ele é capaz de reduzir em 20% o índice de morte de pacientes que têm insuficiência cardíaca e em 21% o número de internações. Isso promete melhorar muito o difícil prognóstico enfrentado até hoje por quem tem essa doença, já que apenas metade dessas pessoas continuam vivas cinco anos após o diagnóstico.

O problema atinge cerca de 3 milhões de pessoas no Brasil, de acordo com informações do DataSUS, do governo federal. Em 2015 foram registradas 219 mil internações por insuficiência cardíaca. Ela é a segunda causa de hospitalização em pessoas acima de 65 anos e a taxa de mortalidade é maior do que a de vários tipos de câncer.

A insuficiência cardíaca é uma doença debilitante e com alto risco de morte, já que o coração se torna incapaz de bombear a quantidade suficiente de sangue para o organismo. Isso acontece porque os músculos do coração se tornam fracos ou rígidos demais para trabalhar de maneira adequada. Como consequência, as hospitalizações dos pacientes são frequentes.

John McMurray, professor da Universidade de Glasglow na Escócia, que desenvolveu o estudo sobre as substâncias que compõem o novo remédio, afirma que fizeram o estudo porque estavam preocupados com o fato de a insuficiência cardíaca não ter tanta atenção quanto outras doenças que têm, inclusive, uma mortalidade menor. “O que eu decidi fazer foi olhar os cinco tipos mais comuns de câncer em homens e em mulheres, além do número de pessoas que tiveram ataques cardíacos, para comparar com a sobrevivência de pacientes com insuficiência cardíaca”, ressalta McMurray.

O estudo liderado por McMurray envolveu mais de 8 mil pessoas e comprovou que esse medicamento é mais eficaz do que o que já existe de melhor atualmente, possibilitando que os pacientes acima de 65 anos vivam quase 1,5 ano a mais. O pedido de aprovação do remédio à Anvisa foi submetido em junho de 2015, e, desde então, a expectativa era disponibilizar o medicamento aos brasileiros ainda no primeiro semestre de 2017.