Conhecido nos Estados Unidos como Movember (trocadilho que trocar a primeira letra do mês para unir à palavra em inglês para bigode, moustache), a virada do mês traz para o Brasil mais um Novembro Azul. Seguindo o conceito do Outubro Rosa e o combate ao câncer de mama, a campanha tem como objetivo conscientizar a população sobre os riscos do câncer de próstata – além do câncer testicular e do suicídio masculino -, segundo tipo mais comum entre homens brasileiros atrás apenas do de pele não-melanoma.

Incidência vs. Mortalidade

Números mundiais analisados por um estudo britânico de 2018, publicado pela Associação Médica Americana (JAMA, na sigla em inglês) colocam países em desenvolvimento como o Brasil no segundo patamar do câncer de próstata, enquanto regiões desenvolvidas como Europa, Estados Unidos e Austrália têm quantidade maior de doentes.

Ainda assim, dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) estimam que o Brasil feche 2018 com mais de 68 mil novos casos da doença e, nessa projeção, Goiás aparece como o nono estado brasileiro com maior incidência de câncer de próstata. O quadro se agrava quando são analisadas as taxas de mortalidade, que, segundo o estudo feito na Inglaterra, levam os Estados Unidos, por exemplo, para o quinto patamar, mas colocam o Brasil no topo.

Informação como remédio

Dados que provam a importância do movimento Novembro Azul, que visa disseminar a realização do exame de rotina com o médico urologista, o que seria capaz de mitigar a mortalidade. Especialistas apontam que a combinação do PSA (antígeno prostático específico) ao toque retal a partir dos 50 anos, como recomenda a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), garantem o maior índice de detecção da doença.

O diagnóstico precoce torna-se crucial uma vez que apesar de ter um desenvolvimento de sintomas lento – podendo inclusive jamais se manifestar durante a vida do doente -, em alguns casos o tumor pode ter crescimento acelerado, se alastrando para outros órgãos e até mesmo levando à morte.

Quanto antes melhor

Além disso, a busca voluntária por cuidados antecipados do brasileiro ainda esbarra nas longas filas de espera para conseguir uma consulta e o intervalo de meses entre a marcação e o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Assim, torna-se ainda mais importante buscar a avaliação de um especialista a partir da idade recomendada mesmo sem qualquer sintoma ou caso na família – a SBU aconselha que aqueles com registro de câncer de próstata em algum parente de primeiro grau iniciem a rotina de exames aos 45 anos.

E se “prevenir é melhor que remediar”, moderar a ingestão de gorduras saturadas presentes em alimentos de origem animal, como carnes gordurosas, manteiga e laticínios, é aconselhável já que essa substância está relacionada a um aumento na incidência de diversos tipos de câncer assim como o de próstata. Já sobre o tratamento, especialistas garantem que o avanço científico tanto da radioterapia como das cirurgias robóticas reduziram a porcentagens irrisórias as chances de efeitos colaterais como incontinência urinária ou mesmo impotência.