Karolina Vieira

Um novo medicamento pode impedir a propagação do vírus HIV na corrente sanguínea. O comprimido Truvada é fabricado por um grupo norte americano e já era indicado para o tratamento de soropositivos como parte do coquetel de aids. Agora ele estará disponível para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) de 12 estados. Entre as primeiras capitais a receber o medicamento estão Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Manaus e São Paulo.

A grande novidade é que o remédio poderá ser utilizado por quem nunca entrou em contato com o vírus, mas pode estar exposto a ele durante a relação sexual. É o caso, por exemplo, de profissionais do sexo. Inicialmente, a distribuição do medicamento pelo SUS vai priorizar 7 mil pessoas com mais de 18 anos, consideradas grupos de risco de contaminação, incluindo profissionais de saúde, homens que se relacionam com homens, transexuais e casais sorodiscordantes (quando um dos parceiros é portador do HIV e o outro não). Porém, antes do início da terapia, é necessário fazer exames, uma vez que o remédio é contraindicado para pessoas com doenças renais e desgaste nos ossos.

A situação de casos da doença no Brasil é preocupante. Dados divulgados em 2017 pela UNAids, órgão das Nações Unidas, apontam que o total de novas infecções a cada ano no Brasil aumentou em 3% entre 2010 e o ano passado. No mundo, essa taxa sofreu contração de 11%. O médico Juan Carlos Raxach, coordenador da área de Promoção da Saúde e Prevenção da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids destaca que, embora o Truvada tenha demonstrado 99% de eficácia nos testes clínicos,  ele não veio para substituir a camisinha.

“Está se falando muito que a profilaxia pré-exposição vem para acabar com o uso da camisinha. O medicamento chegou para ampliar as possibilidades de se prevenir da infecção do HIV. Então, ele não vai substituir a camisinha, mas, com certeza, ampliará a possibilidade de prevenção e dará oportunidade àquelas pessoas que não gostam de usar a camisinha, de ter outro método para não se infectar com o vírus”. Também é bom ressaltar que o remédio não protege o paciente de outras infecções transmitidas sexualmente, o que reforça ainda mais a necessidade do uso de preservativo.