Karolina Vieira

Pesquisadores de um hospital de Oxford, no Reino Unido, desenvolveram uma inteligência artificial capaz de fazer diagnósticos precoces para doenças cardíacas e câncer de pulmão. Atualmente, cardiologistas conseguem dizer se há um problema a partir do ritmo de batidas do coração identificado apenas em exames. Porém, estatísticas apontam a dificuldade de um diagnóstico precoce, o que pode levar o paciente a sofrer um ataque cardíaco ou passar por uma cirurgia desnecessária.

O sistema criado faz um diagnóstico baseado nestes exames com muito mais precisão e consegue detectar detalhes invisíveis aos olhos humanos. Ele dá recomendações ao concluir que o paciente tem risco de ter um infarto. A tecnologia ainda está sendo testada e os resultados serão publicados neste ano em um periódico científico após serem checados por especialistas. Mesmo assim, o cardiologista Paul Leeson, que desenvolveu o sistema, diz que os dados parciais apontam que a técnica superou em muito o desempenho de médicos. “Como cardiologistas aceitamos que nem sempre acertamos. Mas, agora, há a possibilidade de fazer melhor. O novo sistema não iria substituir e sim complementar o trabalho realizado pelos médicos”, afirma Leeson.

Outro sistema em desenvolvimento também busca por sinais de câncer de pulmão, como nódulos – nome dado a um aglomerado de células. Médicos não conseguem dizer se os nódulos são benignos ou se podem se tornar tumores, então, os pacientes precisam passar por mais exames para acompanhar seu progresso. Entretanto, testes clínicos mostraram que a inteligência artificial é capaz de identificar os casos inofensivos levando o NHS a economizar dinheiro e evita para os pacientes vários meses de ansiedade. Também é possível fazer um diagnóstico precoce de um câncer de pulmão.

Os testes feitos até agora tiveram resultados satisfatórios e apontam que mais de 4 mil casos de câncer de pulmão podem ser diagnosticados mais cedo com o uso da inteligência artificial aumentando as chances de sobrevivência destes pacientes.

Foto: BBC