Através de um estudo realizado com mais de 19 mil idosos acima dos 70 anos com boas condições de saúde e sem histórico de problemas cardíacos, nos Estados Unidos e na Austrália, especialistas alertaram contra a automedicação com aspirina. Segundo eles, os resultados são muito importantes e não foram encontrados benefícios para pessoas saudáveis fazerem uso da droga. Ao contrário, o medicamento aumentou o risco de hemorragias que podem levar à morte.

Existem pesquisas contínuas sobre o uso da aspirina para reduzir o risco de câncer e são comprovados os benefícios do uso diário do medicamento por pessoas que sofreram um derrame ou ataque cardíaco porque a droga ajuda a diluir o sangue, evitando assim um novo ataque. Por isso, algumas pessoas saudáveis começaram a fazer uso diário do medicamento acreditando que poderiam diminuir as chances de ataque cardíaco ou derrame. Para pacientes que tomam aspirina devido a um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral, as descobertas não se aplicam e elas devem continuar a seguir conselhos médicos.

Sem efeito

A maioria das pesquisas sobre os benefícios da aspirina é realizada em pessoas na meia-idade e há evidências crescentes de que os perigos aumentam à medida que envelhecemos. Metade dos candidatos recebeu uma dose diária de aspirina em baixa dose por cinco anos. Três relatórios publicados na revista científica New England Journal of Medicine mostraram que as pílulas não reduziram o risco de problemas cardíacos nem proporcionaram algum outro benefício para quem as tomou. Porém, nessas pessoas o uso da aspirina aumentou o número de grandes hemorragias estomacais.

“Isso significa que milhões de idosos saudáveis em todo o mundo que estão tomando aspirina em doses baixas sem uma razão médica podem estar fazendo isso desnecessariamente, porque o estudo não mostrou nenhum benefício geral para compensar o risco de sangramento. Essas descobertas ajudarão a informar os médicos que prescrevem há muito tempo essa droga para eles saberem se devem recomendar a aspirina a pacientes saudáveis”, diz o pesquisador John McNeil, da Universidade Monash.

“Tomar aspirina se você não estiver saudável e com mais de 70 anos e se não teve um ataque cardíaco prévio ou acidente vascular cerebral é algo realmente muito pouco benéfico. Portanto, a automedicação com aspirina, na ausência de uma indicação médica definitiva, não é aconselhável“, complementa o professor Peter Rothwell, da Universidade de Oxford, estudioso da medicação há muito tempo.