Karolina Vieira

A carteira de identificação para autistas era uma reivindicação antiga de pais, entidades e também da coordenação da Comissão de Defesa da Pessoa Autista da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO). Esse documento vai assegurar direitos constitucionais às pessoas que tem o transtorno do espectro autista. Ele também vai ajudar o Estado a fazer um levantamento sobre o número de pessoas que tem essa doença em Goiás.

Atualmente não há estatísticas oficiais sobre o número de pessoas com autismo, apenas uma estimativa de aproximadamente 2 milhões de autistas no Brasil e cerca de 70 milhões de pessoas com autismo no mundo. Os últimos levantamentos mostram ainda que a cada 68 partos, uma criança nasce com autismo.

Além da identificação, o documento também é importante para a elaboração de políticas sociais para esse público. Para a coordenadora da subcomissão de defesa da pessoa autista da OAB Goiás, Tatiana Takeda, a identificação será um grande avanço para esse público, a carteirinha vai servir para que o autista tenha atendimento prioritário. “O autista não tem estereótipo, como uma pessoa que tem uma deficiência que pode ser notada por qualquer um. Muitos têm dificuldade para identificar uma pessoa que têm o espectro e isso atrapalha na inclusão e também no tratamento correta desse público”, destaca.

De acordo com o Gerente de Promoção do Direito das Pessoas com Deficiência da Secretaria Cidadã, o documento será gratuito e começa a ser emitido a partir do próximo ano. Para ter acesso a identificação será preciso apresentar alguns laudos que comprovem a doença. A carteira de identificação será emitida pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) espalhados pelos municípios goianos.

O Transtorno do Espectro Autista, popularmente conhecido como autismo, é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por déficits na comunicação e interação social e também por comportamentos repetitivos. Alguns sinais podem ser percebidos antes mesmo dos três anos de vida, como alterações no sono, aversão ao contato físico, dificuldade de olhar nos olhos, não responder quando chamado pelo nome, não imitar gestos (como bater palmas, acenar ao se despedir), dificuldade de interação com crianças, entre outros. Se desconfiados, os pais devem relatar suas dúvidas ao pediatra.