Karolina Vieira

Uma empresa sueca de pequeno porte, mas líder no mercado global de bioimpressão, já aplica a tecnologia de bioimpressão 3D para a fabricação de tecidos da pele e cartilagens, usados para pesquisas acadêmicas e farmacêuticas com a finalidade de testar novos medicamentos e cosméticos. Em cerca de meia hora surge um nariz na placa de Petri com tinta biológica azul, que contém células humanas. De acordo com Erik Gatenholm, cofundador da Cellink, o objetivo final é produzir órgãos humanos para transplante, o que ele acredita que será possível em duas décadas.

A empresa tem três escritórios no Estados Unidos, além da sede na Suécia. A tinta produzida pela empresa provém da celulose, obtida em florestas suecas, e de algina, substância proveniente de algas coletadas no mar norueguês. Os preços variam entre US$ 9 e US$ 299 (entre R$ 30 e R$ 980), enquanto as impressoras são vendidas por até US$ 39 mil (R$ 128 mil). Por enquanto, os principais compradores são instituições acadêmicas americanas, asiáticas e europeias, incluindo a Universidade de Harvard, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a University College London.

Visto como alternativa para testes de medicamentos que hoje são feitos em animais, empresas farmacêuticas também têm se interessado pelo produto, mas o crescimento esbarra em algumas polêmicas, pois a criação de órgãos para transplantes levantará debates éticos consideráveis. Pesquisadores questionam a segurança e eficácia desses órgãos, além do uso da tecnologia para produzir órgãos mais potentes e a possível criação de “super-humanos”.

Porém, em entrevista para a BBC, Erik afirma que o desafio sempre foi mudar o mundo da medicina e, mesmo que algumas pessoas possam achar que bioimpressão equivale a ‘brincar de ser Deus”, sua equipe se esforça para respeitar as legislações específicas dos países para os quais exporta a biotinta e defenderá regulamentações rígidas à medida que esse mercado evoluir. “O objetivo principal será resolver o atual déficit de órgãos para transplantes no mundo”, finaliza.