As lentes de contato são um recurso extraordinário para oferecer maior qualidade de vida a quem tem problemas de visão. Segundo estimativa da Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria (Soblec), fazem parte da rotina de cerca de 2 milhões de brasileiros. Contudo, o que muitos usuários das lentes ainda ignoram é que a falta de cuidados básicos de higiene pode levar a um alto risco de contaminação e infecções graves.

 

Do desconforto à perda da córnea

Dados divulgados pela Soblec mostram que 90% das infecções são causadas por bactérias e, caso não sejam tratados a tempo, podem ir desde simples irritações até à perda da visão e mesmo da córnea como um todo.

Ainda que uma rotina de higiene e manuseio das lentes seja capaz de evitar a contaminação, especialistas entendem que a praticidade das mesmas muitas vezes garante um grau de “conforto” ao paciente que o leva a abandonar até mesmo as visitas de rotina ao oftalmologista, dificultando diagnósticos precoces de lesões oculares.

 

Fatores de risco

A presença de bactérias nas lentes de contato está diretamente relacionada a falhas primárias do usuário das lentes. Entre elas:

limpeza e desinfecção incorretas das lentes

– hábitos inadequados como lavá-las com água da torneira (um dos principais vetores)

– não descartar das lentes dentro do prazo indicado pelo oftalmologista

– contaminação dos produtos de limpeza e dos estojos

 

Grupo de risco e números

As inflamações do tecido transparente da córnea são chamadas de ceratites e a mais grave delas é a rara Acanthamoeba spp, uma ameba causadora de infecção crônica na córnea. Apesar da baixa incidência da doença, as consequências geradas não podem ser menosprezadas. Atualmente são registrados de dois a três casos da doença por semana, média considerada alta por especialistas.

 

Tratamento

O tratamento e as chances de recuperação sem sequelas dependem do grau da lesão, contudo é imprescindível em todos os casos que o paciente deixe de usar as lentes de contato durante o processo. Até por isso, é importante ressaltar que o uso prolongado das lentes – especialmente em horas e dormir com elas – contribui para o agravamento da infecção porque diminui a oxigenação da córnea.

É crucial o acompanhamento médico constante durante o tratamento que pode ser medicamentoso, em casos de gravidade menor, ou até mesmo cirúrgico quando o dano causado pela bactéria for extenso demais. Assim, fica evidente que aliar o devido cuidado com as lentes a consultas periódicas com o oftalmologista é a melhor forma de prevenir qualquer tipo de contaminação.