Nesta semana, cientistas da Escola de Medicina da Universidade Emory, nos Estados Unidos, publicaram estudo na revista científica Nature Communications . Nele foram apresentados os resultados de um app de celular desenvolvido por eles que promete o fim das agulhas no diagnóstico da anemia. A expectativa também é de que a ferramenta possa ser utilizada em comunidades sem acesso a laboratórios de análises clínicas.

A falta de glóbulos vermelhos no sangue é um problema que pode ter origem genética, por deficiências nutricionais ou por alguma hemorragia. Pessoas que sofrem de anemia costumam apresentar sintomas como cansaço, indisposição, taquicardia, palidez na pele, distúrbios de apetite, náuseas, entre outros.

Atualmente, todas as ferramentas para detecção da doença exigem equipamento externo, são invasivas e têm maior custo. O app é independente e sua precisão está no mesmo nível dos testes disponíveis no momento, sem a necessidade de tirar sangue. O objetivo dos cientistas é facilitar o autocontrole de pacientes com anemia crônica. Em breve, o produto deve ter a patente reconhecida – o protótipo já foi protocolado nos órgãos americanos competentes.

Como funciona?

Com apenas uma fotografia das unhas, o software consegue identificar se o usuário está com níveis adequados de hemoglobina no sangue e os desenvolvedores estão animados com a precisão dos resultados dos testes. O app corrige o brilho de fundo e as variáveis das câmeras de diversos modelos e fabricantes de celulares. Uma única imagem, sem regulagem personalizada, pode dar uma precisão de até 97%, mas o segredo está na calibragem obtida com o uso constante.

De acordo com os testes, em quatro semanas de uso contínuo, o app “aprende” o perfil do usuário e passa a dar resultados com níveis de precisão equivalentes aos de um exame de sangue convencional. Se tudo correr como planejado, a ferramenta deve estar disponível para download público até o fim do primeiro semestre de 2019.

Exame sem picada

O aplicativo foi desenvolvido como parte do trabalho de doutorado do engenheiro biomédico Rob Mannino, que é portador de uma doença hereditária no sangue, causada por uma mutação, e cujo tratamento requer transfusões de sangue mensais. Por isso, ele pensou em um método não invasivo de análise dos níveis de glóbulos vermelhos. Com o app, pessoas comuns poderão realizar exames constantes sem nenhum tipo de método invasivo.

App não substitui visita ao médico

O monitoramento facilitado do distúrbio, que poderá ser constante, vai dar ao paciente a chance de identificar os momentos em que precisa recorrer aos médicos para ajustar terapias ou mesmo receber transfusões sanguíneas, sem o incômodo da picada. Porém, as consultas regulares são indispensáveis. Os desenvolvedores frisam que o aplicativo deve ser usado para triagem, não para diagnóstico definitivo.