Milhares de bactérias, fungos e vírus estão vivendo agora dentro de você. Eles equivalem, aproximadamente, ao mesmo número de células no nosso corpo e são muito diferentes para cada indivíduo. Apenas de 10% a 20% das bactérias do intestino são iguais às de outra pessoa.

Dieta, estilo de vida e vários outros fatores diferenciam esses microbiomas. Ainda assim, não restam dúvidas sobre seu papel fundamental em nossa saúde, apetite, peso e até humor… Embora seja foco de pesquisas, ainda há um longo caminho de para descobrir o poder do nosso intestino. Listamos abaixo o que já sabemos:

 

Benefícios de uma dieta saudável

Nossa alimentação tem enorme influência sobre o microbioma intestinal. Pesquisas mostram relação direta entre a dieta ocidental (rica em gordura animal e proteína e pobre em fibras) com o aumento da produção de compostos causadores de câncer e inflamação. Já a dieta mediterrânea (rica em fibras e com pouca carne vermelha) é ligada ao aumento dos níveis de ácidos graxos fecais de cadeia curta, que tem efeitos anti-inflamatórios e melhoram o sistema imunológico.

Um estudo em andamento nos Estados Unidos está coletando dados e comparando os microbiomas intestinais de milhares de pessoas. Os resultados sugerem que pessoas com mais alimentos à base de plantas em sua dieta têm um microbioma mais diversificado.

 

Os tão falados probióticos

Nos últimos anos criou-se um hype em torno dos benefícios dos prebióticos e probióticos para a saúde. Embora sejam cada vez mais usados em tratamentos, revisões científicas apontam para a necessidade de mais pesquisas sobre as cepas e dosagens mais eficazes. Um estudo de Israel, descobriu recentemente que algumas pessoas são imunes aos probióticos. Na pesquisa, 25 indivíduos saudáveis receberam 11 cepas de probióticos ou placebos e seus microbiomas e sua função intestinal foram avaliados antes e depois da intervenção.

De um lado, um grupo de pessoas cujo microbioma recebeu bem os probióticos, que colonizaram o trato gastrointestinal e alteraram o microbioma. De outro, pessoas cujo microbioma foi resistente aos organismos e os probióticos não conseguiram se estabelecer, sem registrar qualquer efeito. A descoberta sugere que os probióticos precisam ser mais adaptados às necessidades de cada indivíduo.

Eixo intestino-cerébro, nosso humor e comportamento

Nosso cérebro e o intestino têm um forte sistema de comunicação chamado eixo intestino-cérebro e são essenciais um ao outro. Consequentemente, estudos mostram que, sem o microbioma intestinal, o desenvolvimento do cérebro é anormal. Entretanto, ainda não se sabe qual bactéria intestinal é crucial no desenvolvimento cerebral.

Uma nova pesquisa na Universidade de Oxford vem estudando como o intestino se interliga ao cérebro, em casos como humor e saúde mental. Microrganismos do intestino produzem a maioria dos neurotransmissores encontrada no cérebro humano, incluindo a serotonina, que desempenha um papel fundamental na regulação do humor.

Além disso, começamos a compreender também a influência dos micróbios intestinais no nosso comportamento. Estudos sugerem que determinados tipos deles interferem na química cerebral e no comportamento social dos animais. Animais livres de germes, sem exposição a micróbios, mostraram déficits no comportamento social. Pesquisadores descobriram que isso pode ser restaurado pela adição de tipos específicos de bactérias, como o lactobacillus, freqüentemente encontrado no iogurte.

 

Uso irresponsável de antibióticos

O intestino é um ambiente onde bactérias inofensivas e benéficas estão em contato muito próximo com agentes patogênicos oportunistas que causam infecções. Já se sabe que os antibióticos podem alterar drasticamente a microbiota intestinal. Na Universidade de Birmingham, um novo estudo identifica mais de seis mil novos genes de resistência a antibióticos em patógenos (agentes causadores de infecções).

A maioria deles não estavam associados a DNA que pode ser transferido entre bactérias. Consequentemente, isso significa que não há um risco imediato de que esses genes se espalhem de bactérias normais para patógenos. Porém, muitos desses genes que são fixos em ambientes bacterianos específicos podem começar a se espalhar pelo uso excessivo de antibióticos.

Essa descoberta destaca quantos genes resistentes estão no microbioma e poderiam ser mobilizados a se tornarem patógenos oportunistas. Isso deve servir como alerta de que há um grande reservatório desses genes que não queremos começar a mobilizar.

 

Na dúvida, coma mais fibras e vegetais

A ciência ainda não definiu como seria um microbioma saudável e a conclusão ainda deve demorar. Porém, há um consenso de que fatores ambientais, como dieta e antibióticos, afetam mais o nosso microbioma do que nossos genes. E um microbioma mais diverso é melhor para nós.

Embora nossa dieta possa mudar nosso microbioma, parece haver um ponto de referência para o qual “retornam após uma turbulência”. Uma coisa que os pesquisadores indicam é comer mais fibras e vegetais. Essa é uma forma de aumentar a diversidade do intestino, o que é freqüentemente associado a boa saúde.

 

*Com informações da BBC Brasil