Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil já tem 116 milhões de internautas conectados à internet. 94,5% preferem acessar a rede pelo smartphone. O tempo de conexão é chocante: em média 9h14 todos os dias. Um terço disso gasto apenas com redes sociais.

Em vista disso, a tecnologia pode deixar de ser uma aliada e se tornar um problema. Ela causa impactos à nossa saúde física e mental  à medida em que nos tornamos mais dependentes dela. Veja quais são os principais problemas causados pela tecnologia e quais as dicas para minimizar seus efeitos, visto que se tornou quase impossível viver desconectado.


Saúde mental pode ficar comprometida com a FoMO

No topo da lista de doenças estão, claro, as psicológicas. Isso porque os comportamentos repetidos são assimilados pelo cérebro como algo que traz satisfação com a liberação de dopamina – o hormônio do prazer. Quem tem o desejo constante de checar as atualizações de redes sociais, e-mails e aplicativos de conversa pode estar com FoMO (Fear of Missing Out, ou “medo de estar perdendo algo”, em tradução livre). Essa síndrome gera ansiedade, mau humor, angústia e até depressão, e acomete tanto crianças quanto adultos.


Sono reparador precisa de regulação da melatonina

Outro problema é que muitas pessoas levam os aparelhos eletrônicos para a cama e, ao invés de ativar o corpo para dormir, o cérebro se mantém alerta, enquanto a luz emitida pelas telas inibe a produção de melatonina, o hormônio do sono. A orientação é desconectar para que as ondas cerebrais fiquem lentas e o sono chegue.

Os sintomas mais simples são reflexo diminuído, mau humor e sonolência, mas com a privação constante pode evoluir para a probabilidade de infecção, baixa da imunidade, ganho de peso e algumas doenças, como hipertensão arterial.


Olhos também são afetados pela falta de lubrificação

A média de piscadas do ser humano são de cinco a dez segundos, mas quando passamos muito tempo em frente às telas, essa ação é diminuída em até dez vezes. Isso causa desconforto, ressecamento, embaçamento, ardor e vermelhidão. Alguns estudos sugerem que o exagero no uso de dispositivos eletrônicos aumenta o risco de miopia. Outros danos na visão que podem ser causados pelo uso contínuo de equipamentos eletrônicos são ceratite (irritação da córnea) e úlcera.

As dicas são piscar mais vezes; descansar os olhos dos aparelhos de hora em hora, ficando cerca de 10 minutos afastado deles; se expor a ambientes abertos de quatro a oito horas por semana; optar por monitores grandes e ter cuidado com a luminosidade excessiva.


Pele pode sofrer com agravamento ou aparecimento de manchas

Além do sol e da poluição que prejudicam a pele, a luz artificial dos equipamentos eletrônicos também prejudica nosso maior órgão: a pele. Ela pode provocar ou piorar manchas escuras (melasmas), em especial no rosto, no pescoço, no colo e nas mãos, que são as partes mais expostas.

Isso ocorre porque as luzes artificiais estão relacionadas à radiação ultravioleta, o que causa também a aceleração do envelhecimento. A solução é se proteger com protetor solar mesmo nos dias em que ficar apenas dentro de casa no computador.


Problemas ortopédicos

Não existem ainda estudos científicos com dados sobre a frequência de problemas ortopédicos causados pelo uso excessivo do celular. Apesar disso, muitos médicos já têm observado o aumento do número de pacientes que chegam ao consultório. Os problemas são na coluna cervical e torácica.

Como usam o celular à altura da cintura, as pessoas mantém a cabeça curvada para baixo por muito tempo. Com o queixo junto ao peito, a coluna é forçada. Movimentos repetitivos para digitar e jogar também podem causar tendinite e bursite. Outro problema são lesões articulares que afetam mãos, braços e ombros, com dor intensa e a perda de sensibilidade e força.

Qual a postura correta para usar o celular?

A recomendação é levantar o celular à altura dos olhos ou usar o celular pousado numa mesa. Como o celular já substitui em grande parte o computador e não é cômodo usá-lo com o braço levantado. Outra recomendação é a prática de exercícios que diminuam o efeito da posição inadequada. Exemplos disso são o alongamento da coluna cervical com movimentos de flexão, extensão e rotação lateral do pescoço.