Karolina Vieira

Comparado com o ano anterior, o número de casos de sífilis em adultos brasileiros aumentou em 27,9 %. O levantamento foi realizado pelo Ministério da Saúde e divulgado no último mês. Em gestantes, cresceu 14,7%, e a sífilis congênita aumentou 4,7%. Diante dos dados, a diretora do Departamento de Vigilância Prevenção e Controle das DSTs, Adele Benzaken, afirmou que Brasil ainda vive em situação de epidemia.

Em Goiás, os dados são alarmantes. De 2013 a 2016, segundo a Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO), foi constatado o aumento de 453% de sífilis adquirida, 31% de sífilis em gestantes e 107% de sífilis congênita. Segundo a secretaria, dentre as causas do aumento estão por exemplo, falhas no pré-natal, falta de adesão ao tratamento – especialmente por parte dos parceiros homens -, diagnóstico tardio ou tratamento inadequado.

No último mês, a SES-GO realizou campanhas de conscientização e ações internas como capacitação em testagem rápida para sífilis na atenção básica e nas maternidades, capacitação no manejo clínico da sífilis para as regiões de saúde e instituição do comitê estadual de investigação de transmissão vertical de sífilis.

A contaminação por sífilis é mais expressiva entre adultos, com 87.593 mil casos registrados no ano passado. Para 2017, a situação é ainda mais preocupante, com projeção do Ministério de Saúde de que surjam 94.460 novos registros. Este crescimento ocorre desde 2010. “Subir números não significa piora do diagnóstico, mas a melhora da expertise. Fora isso, há toda a questão do investimento na transmissão vertical, da gestante com o parceiro. Da garantia do sexo seguro, do acompanhamento e tratamento dos dois”, afirma o secretário executivo do ministério, Antônio Carlos Nardi.

De acordo com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, o tratamento da doença sexualmente transmissível por uso de penicilina está garantido em todo o país. “A ação será intensificada em 100 municípios brasileiros que concentram 60% dos casos de sífilis”, destaca o ministro. Barros disse que, para garantir a cobertura nacional do tratamento, foram investidos R$ 13,5 milhões na compra de 2,5 milhões de frascos de penicilina benzatina e 450 mil do tipo cristalina, que é de uso infantil. A quantidade será suficiente para abastecer todos os municípios do país até o mês de março de 2019. Ao todo, o governo vai destinar R$ 200 milhões aos municípios para reforçar as ações de combate a controle da doença. O montante será proveniente de emendas parlamentares.

Nos últimos anos, o aumento no número de casos de sífilis esteve relacionado à falta do medicamento e também à redução das campanhas de prevenção e combate, sem falar na redução do uso de preservativos durante as relações sexuais e, ainda, a resistência de gestantes a fazer o tratamento por conta dos efeitos colaterais. Mesmo o país vivendo uma epidemia, o ministro disse que a situação está controlada. “Os números não são os que gostaríamos, mas estamos com todas as condições de reduzir os índices”, finaliza.