Karolina Vieira

Até 2018, o Ministério da Saúde deve concluir o Plano Brasileiro de Combate à Resistência a Antibióticos. A resistência antimicrobiana é uma preocupação global principalmente desde que foi divulgado, em maio do ano passado, um relatório do governo britânico que mostra que, se nada for feito até 2050, a resistência aos antibióticos matará mais do que o câncer. Isso significa dez milhões de pessoas devem morrer a cada ano, ou seja, uma pessoa em cada três segundos.

Para evitar que isso ocorra, a Organização Mundial da Saúde (OMS) produziu um plano de combate com cinco objetivos e tem estimulado todos os países membros a elaborarem planos nacionais. Mas até agora, dos 191 países membros, apenas 67 estão com seu plano concluído, e 62 estavam em desenvolvimento, incluindo o Brasil. Na América do Sul, os países que já têm um plano de combate estruturado são Chile, Colômbia e Peru.

Eduardo Hage, especialista do Instituto Sul Americano de Governo em Saúde (ISAGS), da Unasul, explica que é preciso aumentar o conhecimento dos próprios serviços de saúde sobre o problema. “Isso é essencial para alcançar o terceiro objetivo: reduzir a incidência de casos. Uma das maiores deficiências, em todos os países, é que não existem dados populacionais sobre a resistência antimicrobiana em humanos e em animais. Conhece-se pouco sobre isso em escala global”, afirma.

Hage ressalta ainda que é necessário criar sistemas de vigilância epidemiológica que consigam mensurar quantas pessoas desenvolvem resistência a antibióticos. “Nós sabemos quantas pessoas desenvolvem infecção hospitalar. Mas não sabemos quantas pessoas em hospitais desenvolvem resistência antimicrobiana. E, se não sabemos qual é essa população, não saberemos se nossas ações estão reduzindo esses casos ou não”, enfatiza.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, o plano é de alta transversalidade e tem muitos tópicos, mas deve ser concluído até o ano que vem. Segundo a pasta, ele será analisado e assinado conjuntamente por todos os órgãos envolvidos.