Karolina Vieira

O cirurgião sul-africano Cristiaan Barnard realizou o primeiro transplante de coração humano do mundo, no hospital Groote Schurr, em Cape Town no dia 03 de dezembro de 1967. O transplante do órgão foi feito na paciente chamada Louis Washkansky, que tinha 54 anos. A operação durou cinco horas e envolveu, na época, um time de 30 pessoas. Washkansky recebeu o coração de Denise Darvall, uma jovem de 25 anos que tinha sofrido morte cerebral após um acidente de carro.

Desde então, os números de transplantes de coração crescem a cada ano. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que mais de 72% dos pacientes que recebem um novo coração vivem, pelo menos, cinco anos, enquanto 20% alcançam a marca de 20 anos. Em 2016, foram 6 mil procedimentos deste tipo em todo mundo. Os Estados Unidos é o país que lidera em número de transplantes de coração e realizou 3.209 cirurgias em 2016. Já o Brasil aparece em terceiro com 357, seguido pela Alemanha e a Espanha.

Mesmo com o avanço da ciência e medicina, os procedimentos ainda são complexos e existem riscos para os transplantados que podem sofrer com a rejeição do órgão pelo corpo e ainda com as infecções causadas por medicamentos que controlam as respostas do sistema imunológico ao novo coração. E são essas infecções responsáveis por uma em cada três mortes de pacientes no primeiro ano de cirurgia.

Outro problema enfrentado mesmo após 50 anos desde realização do primeiro procedimento é a oferta e demanda de órgãos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a oferta de órgãos para transplante cubra apenas 10% da demanda global. Segundo a OMS a falta estimula um mercado clandestino que cresce rapidamente e que comercializa órgãos a preços altíssimos. Em 2012, de acordo com a organização, pelo menos um entre oito transplantes de rins foi feito ilegalmente.